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2:10, 22 Julho 2018

A grande mentira sobre os rótulos dos alimentos e suas calorias


Está se tornando mais comum, quando vamos ao supermercado fazer a nossa compra habitual, parar de olhar as informações nutricionais que aparecem nos rótulos dos produtos. Estes dados supõem um suporte fundamental na hora de fazer um guia de alimentos para ingerir ao longo de um planejamento dietético.

Um estudo realizado pela Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), concluiu que a informação contida nestes rótulos não menciona com precisão a quantidade real de calorias que contém. Isso porque o modelo utilizado para contabilizá-los subestima o conteúdo energético dos alimentos processados ​​e superestima o que se refere Às matérias-primas que compõem o produto.

O método para contar calorias remonta ao século XIX

De acordo com a pesquisa realizada por essa organização internacional sem fins lucrativos, as empresas de produção de alimentos estão em dia, apesar de não terem feito nenhuma mudança nesse sentido. O método usado para contar calorias é o chamado sistema ou fator Atwater, desenvolvido no final do século XIX e início do século XX pelo químico norte-americano Wilbur Olin Atwater.

Através deste sistema, é feito um cálculo da energia disponível na comida. A imprecisão vem do fato de que só leva em conta as calorias contribuídas por proteínas, gorduras e carboidratos. A verdade é que o fator Atwater tem estado no centro das atenções por muitos anos e gerou uma infinidade de controvérsias, no entanto, até o momento, nenhum sistema foi ainda desenvolvido que possa funcionar como um substituto efetivo para ele. continuou a usar, apesar da desinformação manifesta que gera.

Alternativas para o fator Atwater

Richard Wrangham, promotor do estudo e professor de antropologia biológica na Universidade de Harvard, insistiu, dentro das conferências realizadas na AAAS, sobre a necessidade de encontrar um novo sistema que fosse uma alternativa ao modelo de Atwater. Segundo o professor, o sistema atual é eficiente para contar calorias em alimentos que têm uma digestão simples, como pão e frutas. No entanto, superestima o valor energético de alimentos de digestão lenta, como fibras, leguminosas e cereais. Nestes casos, considera-se que entre 10% e 20% das calorias contribuídas são contadas de forma errada.

Com relação aos alimentos processados, que hoje são comuns em nossas cestas de compras, o erro na contagem de suas calorias pode chegar a 30% . De acordo com o próprio Richard Wrangham, essa imprecisão se deve ao fato de que os alimentos crus são sempre menos calóricos do que os que são cozidos, uma questão que deve ser levada em conta ao se rotular produtos que tenham sido previamente preparados.

Estamos, portanto, diante de uma dificuldade adicional em nossas rotinas alimentares, já que é bastante complexo preparar um planejamento exato de nossas refeições se não formos capazes de conhecer o verdadeiro valor calórico dos alimentos que consumimos.


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